sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Helena ainda brinca de boneca

Lembram-se de Helena e Alberto? Alberto, aquele que não gosta de futebol. Pois bem...


http://mdemulher.abril.com.br/imagem/familia/interna-slideshow/am-fam-649-menina-calca-sapato-da-mae.jpg

Helena não queria magoá-lo.
Helena disse: "Alberto, eu gosto de você como amigo!"
"Será que foram palavras muito duras?", pensou.
Depois que Alberto saiu, ela foi brincar de boneca.
E até hoje ela brinca e pensa: "Cadê Alberto?".
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PS: Escrito pela minha amiga/irmã/parceira/e otras cositas más, Alyne Barreto.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ostra feliz não faz pérola


Justifico minha ausência com a velha e esfarrapada desculpa das férias. Isso mesmo, atualmente estou de férias da faculdade e do trabalho. Vim visitar meu pai que já fazia pouco mais de um ano que não o via. Atualmente ele mora em Rio das Ostras (RJ). Tenho aproveitado as férias pra descansar muito, e ler.

Quando estava no aeroporto a caminho do Rio de Janeiro, passei na livraria e comprei um livro. Mas esse não seria como os outros que estão empilhados aguardando a sua vez, este furou a fila. “Ostra feliz não faz pérola” de Rubem Alves é uma conversa gostosa com o velho contador de histórias, escritor, educador, psicanalista e romântico de profissão.

"A ostra para fazer uma pérola,precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer.Sofrendo,a ostra diz para si mesma:preciso envolver essa areia pontuda q me machuca com esfera lisa q lhe tire as pontas... Ostras Felizes não fazem pérolas...Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador ,seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não precisa que seja uma dor doída... Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi."




Quando li isso não pude resistir. Ele falava comigo.


http://i.s8.com.br/images/books/cover/img5/21346085_4.jpg

O livro é feito de pequenos retalhos de pensamentos sobre “Amor”, “Beleza”, “Crianças”, “Educação”, “Natureza”, “Política”, “Saúde Mental”, “Religião”, “Velhice” e “Morte”. AH! Também tem o primeiro capítulo que se chama “Caleidoscópio”, que seria um apanhado de “tudo um pouco”.


Atualmente temos conversado – e é assim que eu descrevo a leitura desse livro, como uma grande conversa na varanda da minha casa (ainda que ela não tenha varanda) – sobre “Religião”.

http://www.ptsem.edu/Publications/inspire2/7.1/images/%2768rubem%20alves.jpg

Tendo sido, quando jovem, pastor presbiteriano, e por motivos pessoais largado o pastorado. Encontro-me muitas vezes em seus pensamentos. Quando não me encontro, divirto-me apenas procurando. Temos perturbações semelhantes quanto a “Política”, “Educação”, e talvez ainda mais em “Religião” (ainda que eu tenha dificuldades em associar essa palavra a alguma coisa boa).


Hoje li um conto que gostei. E finalizarei a postagem de hoje com ele.

Viviam, num país do oriente, 5 cegos que mendigavam juntos à beira de um caminho. Eram amigos em virtude de seu infortúnio comum. Todos tinham um grande desejo. Já haviam ouvido falar de um animal extraordinário, enorme, chamado elefante. Tão maravilhoso era o dito animal que muitos afirmavam que ele era divino. Mas eles, pobres cegos, nunca haviam estado com um elefante. Ah! Como gostariam de conhecer um elefante. Aconteceu, porque Alá ouviu suas preces, que um domador de elefantes foi por aquele caminho conduzindo seu animal. Foi uma festa! A criançada gritando, homens e mulheres falando. Ouvindo tal rebuliço os cegos perguntaram: " O que está acontecendo?" "Um elefante, um elefante", responderam. Eles se encheram de alegria e pediram ao domador que os deixassem tocar o elefante, já que ver não podiam. O domador parou o animal e os cegos se aproximaram. Um deles foi pela traseira, agarrou o rabo do elefante e ficou encantado. O segundo foi pelo lado, abraçou uma perna e ficou encantado. O terceiro apalpou o lado do elefante e ficou encantado. O quarto passou as mãos nas orelhas do elefante e ficou encantado. E o último segurou a tromba e ficou encantado. Ido o elefante os cegos começaram a conversar. "Quem diria que o elefante é como uma corda!", disse o primeiro. "Corda coisa nenhuma", disse o segundo. " É como uma palmeira". "Vocês estão loucos", disse o terceiro. " O elefante é como um muro muito alto." "Vocês não são só cegos dos olhos", disse o quarto. " São também cegos da cabeça. Pois é claro que o elefante é como um ventarola." " Doidos, doidos", disse o quinto. " O elefante é como uma cobra enorme..." Por mais que conversassem eles não conseguiram chegar um acordo. Começaram a brigar. Separaram-se. E cada um deles formou uma seita religiosa diferente: a seita do deus-corda, a seita do deus palmeira, a seita do deus parede, a seita do deus ventarola, a seita do deus cobra...Assim são as religiões.
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(retirado do livro "Ostra Feliz Não Faz Pérola" - Rubem Alves)



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Alberto não gosta de futebol

http://ojovempensante.files.wordpress.com/2009/10/futebol-menino-desconhecido1.jpg

Ferido, Alberto chorou sentado na calçada da casa da sua mãe.
Helena havia dito que só gostava dele como amigo.
Nesse dia Alberto não foi ao campinho jogar bola.
E assim seguiu-se por toda a sua vida.
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Não, eu não abandonei o blog - mais uma vez - apenas estou sem tempo e sem cabeça pra escrever.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Aproveite" - Projeto Trinca



Projeto Trinca
"Aproveite"
O Nosso Disco Dava um Filme
Direção: Alex Rodrigues, Andreza Seixas,
Artur Correia e Tainá Dantas.

Realização: Calunga Filmes

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Manual do Amor

A Paixão, A Crise, A Traição e O Abandono são os elementos que compõem este belo filme de Giovanni Veronesi. A comédia romântica italiana permeia quatro universos diferentes, com personagens e dilemas distintos.

A Paixão

No primeiro "fascículo" - digo fascículo, pois no filme realmente existe um "Manual do Amor", dividido em 4 fascículos que abordam os temas ja citados - temos o dilema da paixão. Tommaso (Silvio Muccino) é um jovem desempregado que diante de uma situação inusitada se vê apaixonado por Giulia (Jasmine Trinca), que nada quer com ele.

A Crise

Depois temos Barbara (Margherita Buy) e Marco (Sergio Rubini), que após anos de casado enfrentam a crise, beirando a separação. O dilema do casal está em saber se um filho salvaria ou não o relacionamento dos dois.

A Traição

Após Marco ser multado pela policial Ornella (Luciana Littizzetto), a história se volta para o conflito de Ornella em descobrir que o seu marido a traiu. Daí em diante Ornella vira uma lenda viva nas ruas italianas. O terror dos motoristas. O terror de Goffredo (Carlo Verdone).

http://multimedia.iol.pt/oratvi/multimedia/imagem/id/3431336/400x330
O Abandono

Goffredo, foi recentimente abandonado pela mulher. Sem saber se quer o motivo do abandono, o médico tenta reconstruir a sua vida seguindo as dicas de um tal "Manual do Amor".

TRAILER


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A separação também pode ser parte de uma história de amor

O hermano naturalizado brasileiro, Hector Babenco, dirige e escreve – junto com Marta Góes - O Passado, com uma primorosa magia melodramática, romântica, doce, mas amarga, dura e forte, como a vida normalmente costuma ser com aqueles que se entregam aos amores.



O filme baseia-se no romance do argentino Alan Pauls, e conta a história do jovem tradutor Rímini (Gael García Bernal), envolvido desde a adolescência com Sofia (Analía Couceyro), e que depois de 12 anos de casados resolvem se separar. Após a separação, ambos tentam seguir adiante com a vida, reconhecendo que aquela era a melhor atitude a ser tomada pelos dois. Rímini, de forma inusitada, conhece a modelo Vera (Moro Angheleri). Seu romance com Vera desperta o ciúme de Sofia, que vê o homem da sua vida escapar-lhe pelas mãos – de outra. Após um incidente envolvendo Vera, Rímini se envolve com Carmen, mulher mais velha que ele e companheira de trabalho. Rímini casa com Carmen. Rímini engravida Carmen. Agora são, Rímini, Carmen e Lúcio. Ainda fruto do incidente envolvendo Vera, Rímini começa a sofrer de constantes surtos de amnésia, o que o impossibilita de trabalhar. Certo dia Sofia reaparece em sua vida, e carrega Lúcio consigo, fazendo Carmen achar que Rímini o havia seqüestrado.


http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,11762948-EX,00.jpg


O conflito psicológico envolvendo todos os personagens da trama é simplesmente fascinante. A loucura, o desejo, o amor, e todos os elementos que permeiam o sangue dos amantes latinos (que vão do diretor aos protagonistas), nos fazem delirar com este filme que é uma ode aos amores imperfeitos.


http://a1.vox.com/6a00d414294e323c7f011016707531860d-500pi


Sofia jamais conseguiu esquecer Rímini. Talvez ela nunca tivesse quisto tal coisa. Ele por sua vez, se mostra sempre vitimado pelas circunstâncias da vida e pelos amores brutos - perdoem-me o trocadilho infame.


http://www.omelete.com.br/images/galerias/passado__o/1.jpg


Rímini indica o homem moderno. Submisso, sujeito. Enquanto Sofia representa a mulher voraz, sedenta por ser amada e capaz de ir até onde se fizer necessário atrás do seu amor.


http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/10/20_2050-blog-gael.JPG


O Passado é um filme para se dizer “-NÃO” as formulas prontas e pré-concebidas do amor. E que ao final conseguimos perceber que o amor não nos pertence. O amor é autônomo. É livre. É ele. O amor pode chegar com a sutileza de um sorriso, na mesma medida que saíra com um bater de porta, e você perceberá que tudo o que aconteceu agora, já faz parte do passado.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKzvqhgmXaydGVtkOdJPHfTXjJA918IQZSHgbfwUt-jADpDKDMrwCKzYoA67yB5V1OiL72f-34VRrHDI8UEzF3qdKUsGz-_GZi6A1dD0CDM15g1MXohg42NvNV-MaVi8ShbPuja0IW9Ho/s1600/mostra_o+passado+2.jpg




Trailer

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Simples e complexo, como uma torta de maçã


Incrivelmente os melhores filmes que eu já assisti foram aqueles dos quais eu nada – ou quase nada – sabia. Foi assim com Perfume, O Cheiro do Ralo e Entre o Bem e o Mal.


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Comecei a assistir Entre o Bem e o Mal (Título Original: Adam’s Apple) sem saber absolutamente nada sobre ele, sem se quer ler uma sinopse.


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De cara o filme tem uma estética linda. Excelente fotografia. E apesar de girar em torno de praticamente dois cenários (a igreja e o hospital), e com um elenco que poderia se resumir em cinco pessoas – exceto por alguns poucos figurante que mal formariam um time de futebol - o filme em momento algum perde ritmo. É simples e complexo, como uma torta de maçã.


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O inesperado, o incrível, o surreal, e até o clichê se juntam para compor esta belíssima obra dinamarquesa do diretor Anders Thomas Jenses, que escreveu junto com Lars Von Trier o atual e polêmico Anticristo.


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Adam (Ulrich Thomsen) é um skinhead recém saído da prisão, e que cumprirá pena prestando serviços comunitários em uma pequena igreja dinamarquesa, conhecida por acolher e reabilitar criminosos como o pervertido sexual Gunnar (Nicolas Bro) e o terrorista Khalid (Ali Kazim). Sobre os cuidados do pastor Ivan (Mad Mikkelsen), cada condenado tem uma missão a cumprir durante sua estadia. Adam escolhe fazer uma torta de maçãs. E nada poderia ser mais simples do que uma deliciosa torta de maçãs.



Sobre o diretor: Anders Thomas Jensen nasceu em 6 de abril de 1972, na Dinamarca. Estudou programa para roteiros na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca e ainda estudante escreveu seu primeiro trabalho para a televisão. Estreou profissionalmente em 1996 com curtas, conseguindo uma indicação ao Oscar por Ernst & Lyset. Mas só ganhou esse prêmio em 1999 com o curta Valgaften. Depois de escrever vários roteiros, estreou como diretor em 2000, com Blinkend lygter. Adam’s Apples foi premiado no Festival de Hamburgo. Participou da 24ª Mostra como roteirista do filme O Rei está Vivo, de Kristian Levring.



Veja aqui o Trailer