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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jornalismo, uma ova


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCPOnR8XFlN-RWnRCvmSIjkaP21EHJjuYVwpttQg7zlvlGFPI6dJXxcMfd-Y8evtxPbIYMq11egOse-wcEdmRNRavtJ2YgwNdWJZvshxnLi5n4NSm3MwISisDzii08yrdKRCWVLBAvvpA/s320/twitter-network.png

A atriz pornô provoca uma atriz "globô" e sentencia que se a dita admite a existência do beijo técnico, então obviamente haverá o boquete técnico. O jovem empresário avisa que a farra está "bombando" na varanda do seu vizinho, que é engenheiro.
Uma senhora transmite para o que ela pensa ser o mundo a apuração de uma eleição aonde o campeão de votos obteve apenas 17 sufrágios. Duas jovens jornalistas trocam posts tecendo comentários sobre o vestuário e gestos dos artistas do Grammy.

Um político de esquerda ressalta a gentileza de um prefeito de direita durante mais uma das tantas festas que viraram grandes jogadas para desvio de verba pública. O garotão diz ao amigo que só segue as bonitonas, só pra ficar vendo o que elas conversam.
Num papo atravessado entre quatro ou cinco rapagões, um avisa que o sonho do outro é ser igual a um terceiro, que por sua vez adora imitar um quarto. A cinquentona informa aos seguidores que um certo político acaba de tomar água de coco; enquanto uma outra diz toda solene que um senhor poderoso acaba de lhe telefonar em pessoa.

O diretor de empresa escreve em maiúscula um cumprimento abrindo o dia para seus próprios funcionários. Alguém avisa com ar de Cid Moreira virtual que um recém-desquitado foi expulso de uma festa por assediar a própria aniversariante.
Um deputado rasga seda para uma vereadora e já anexa juízo de valor no gesto sugerindo que o Brasil inteiro saiba da maravilhosa iniciativa da amiga. Em apenas 5 minutos, um enxame de gente "do bem" filosofa contra o meio ambiente.

Outro parlamentar, narrando suas andanças atrás de votos no interior, diz que o único assunto de interesse do povo é futebol, sem nem desconfiar da insignificância da própria andança. A gatinha jura que não ficou com o paquera da colega de escola.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez ou mais jornalistas se plantam no computador para emitir, a cada dois segundos, notícias que todo internauta já viu nos portais, na TV ou nos jornais. Alguns chegam a reproduzir em tempo real o portal Terra.
Entre uma consulta e outra, um médico aproveita a interação virtual para publicar algumas drogas verbais. Dois candidatos a intelectuais decidem elencar os 10 melhores filmes da última quinzena e pensam ser seguidos na empreitada por milhares.

O jovem artista comunica a quem interessar possa que sua irmã engravidou e que seu cunhado está feliz, enquanto um artista velho aconselha uma universitária a ouvir com atenção os discos de Arrigo e ler os poemas de Ana Cristina Cesar.
A velha militante comunista tenta chamar a atenção da moçada para uma campanha moralizante, mas a tropa parece seguir noutra parada. O alegre publicitário clama por companhia numa balada que vai rolar e a advogada pergunta quem chupou quem no BBB.
Uma guria retuíta uma frase de auto-ajuda que ela jura ser do amigo que ela julga um cara genial. Carcomido pelo ferrugem do provincianismo, o rapaz comenta sobre um clássico em Mossoró como se falasse da decisão de uma Copa da UEFA.

Cego pelo evangelismo petista e pelo bom troco de um cargo comissionado, o filiado compõe um fake para tentar no Twitter desmoralizar uma tese assinada pela UNESCO. A amiga do político bêbado vomita em sua página notícias glamourosas do cara e uma arquiteta comenta da infra e dos decorativos de um casamento que foi no dia anterior. Todo "sou todo gênio" um professor indica o link de um site sobre tampas de garrafa.
O assessor de governo mostra gráficos que comprovam o maravilhoso quadro nos setores de Saúde, Segurança e Educação no Estado. Já a estudante de Direito concorda com o amigo bombado que deu um "chega pra lá" num flanelinha em Pirangi.
Todos os dias, por 24 horas ininterruptas, assuntos como esses são publicados por segundo na grande rede social do Twitter, que agora é chamado de "rede de informação" por ninguém menos que o cara que o inventou.

Há uma minoria publicando coisas úteis, indicando boas reportagens e textos de opinião e análise, mas a maioria esmagadora polui o ambiente com o mesmo lixo que inviabilizou o Orkut. E é esse lixo que muita gente inteligente acha que podemos chamar de jornalismo. Mas não é mesmo, #tiremopassarinhodachuva. (AM)

Esse texto foi escrito pelo jornalista Alex Medeiros em sua coluna "Portfólio", publicada no Jornal de Hoje (Natal/RN) em 02 de Fevereiro de 2010.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

'Sou um crente verdadeiro', diz Bob Dylan

Álbum natalino gera especulações sobre a religião atual do cantor.
Receita do disco 'Christmas in the heart' será revertida para a caridade.

http://rgcred.files.wordpress.com/2009/08/bob-dylan-smoking-a-cig.jpg

Bob Dylan teceu reflexões sobre natais passados, almoços com peru e suas canções natalinas favoritas em uma entrevista rara publicada por uma revista para pessoas sem-teto, publicada nesta quinta-feira (26). O cantor de 68 anos deixou fãs e críticos perplexos com seu novo álbum, "Christmas in the heart", uma coleção de canções tradicionais de Natal cantadas em sua voz rouca e gutural.

O álbum natalino também reforçou as especulações entre os "observadores de Dylan" em torno da religião atual do cantor, se é que ele tem alguma. Entre 1979 e 1981 Dylan foi cristão evangélico e lançou três álbuns de temática religiosa. Ele disse ao entrevistador: "Sou um crente verdadeiro", mas não deu maiores detalhes.

Toda a receita deste novo disco será revertida para organizações de caridade para sem-teto e famintos nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e 80 países pobres.

Indagado sobre a razão de ter escolhido essas organizações, Dylan disse ao entrevistador: "Elas levam a comida diretamente às pessoas. Sem organização militar, sem burocracia, sem tratar com governos."

A entrevista exclusiva saiu na revista britânica "The Big Issue" e em jornais semelhantes distribuídos nas ruas na América do Norte.

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"Christmas in the heart” - Album natalino de Bob Dylan

Bob Dylan disse que, embora seja judeu, nunca se sentiu deixado de fora do Natal quando era menino, em Minnesota. Ele recordou "muita neve, sinos de Natal, pessoas indo de porta em porta cantando canções de Natal, trenós nas ruas, sinos da cidade tocando, peças de teatro sobre o nascimento de Jesus."

Dylan falou que, para ele, um bom almoço de Natal tem peru assado com purê de batatas e molho, couve e todos os acompanhamentos tradicionais. As canções do álbum de Natal "fazem parte de minha vida, assim como as canções folclóricas", disse.

Por que o Natal tem as melhores canções? "Talvez porque o Natal seja algo que existe em todo o mundo e com o qual todo o mundo pode se identificar à sua própria maneira."

O lançamento do álbum natalino veio apenas intensificar o enigma de Bob Dylan, além de coroar um ano repleto de acontecimentos para ele.

O músico fez mais de 100 shows na Europa e América do Norte, dentro de sua turnê "Never Ending", e liderou as paradas na Grã-Bretanha e nos EUA com seu álbum "Together through life."

Em julho Dylan foi detido em Nova Jersey quando moradores viram um homem encapuzado perambulando em sua rua debaixo de chuva. O jovem policial chamado não reconheceu o compositor e cantor premiado com o Oscar e o Grammy.

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Fonte: G1


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A glorificação do tosco e do ridículo


http://static.panoramio.com/photos/original/9170003.jpg
Estátua de Iemanjá na Praia do Meio - obra do artista assuense Etewaldo Santiago

O Novo Jornal publicou na edição deste domingo uma matéria primorosa sobre os bizarros e mau cuidados monumentos (?) da cidade de Natal. A matéria do jornalista Alexis Peixoto ressalta algo que desde a minha infância eu ja percebia. As estátuas daqui de Natal são bem estranhas. Algumas são estranhas desde a sua composição, outras vão se "estranhando" com o passar do tempo - ja que não recebem um cuidado adequado por parte dos orgãos públicos - é como bem falou o artísta plástico Vicente Vitoriano, "- Os monumentos são invisíveis para a população, e o poder público aproveita que ninguém liga e não faz nada para preservá-los".

http://www.marlioforte.com.br/coluna/imagens/wilma-aniversario-do-rn%20005.JPG
Estátua de José Augusto

Acredito que o estopim da matéria tenha sido a "obra" em homenagem a José Augusto, instalada em frente ao prédio da Assembléia Legislativa. A estátua escupida em cimento - e depois pintada de dourado para simular um aspecto metálico - possui características da arte santeira, geralmente produzida em escala menor. O memorialista Sandro Fortunato disse que "é uma homenagem as avessas". Há quem diga até que a pobre estátua se parece mais com um "boneco de posto".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Natal S.A.

Por Luis Eduardo Matta para o Digestivo Cultural

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Todo fim de ano é a mesma coisa. Chega o mês de dezembro e as nossas cidades se enchem de uma atmosfera única, radiosa, de uma efervescência colorida, onírica, mágica. As fachadas se enfeitam, as ruas ganham um fôlego renovado, o vozerio animado das pessoas em torno das vitrines sedutoras das lojas, das árvores de natal montadas nos grandes shopping centers, das prateleiras de supermercados repletas de iguarias natalinas, de frutas secas, nozes e castanhas a perus e tenders congelados; de convidativas postas de bacalhau a caríssimas cestas sortidas preparadas em vários tamanhos e preços. Tudo para celebrar a grande data do ano, a época em que todas as pessoas, felizes, risonhas e generosas, se abraçam e se emocionam, trocam presentes, perdoam umas às outras e se irmanam nesta celebração única: o dia de Natal.

Peço licença aos meus caríssimos leitores para sairmos, por alguns parágrafos, desta atmosfera ideal e ingressarmos num panorama um pouco mais próximo à realidade ou, pelo menos, a uma parte considerável da realidade de milhões de pessoas que, mesmo sem saber, são anualmente aviltadas por essa loucura doentia na qual, uma data tão especial como o Natal se converteu de algumas décadas para cá: uma festa que deveria ser, essencialmente, uma celebração simples e desprendida, transformada, à revelia, numa ode alucinada à compulsão consumista e a um pretenso hedonismo que pouco têm a ver com o que se entende como espírito natalino. Para muita gente, aliás, o mês de dezembro representa a promessa de um martírio: a época do ano em que todos se sentem obrigados a estar felizes, reunidos e em paz com suas famílias, com dinheiro de sobra em caixa para gastar em presentes vistosos e na preparação de uma ceia farta e com muita disposição para encarar a verdadeira maratona que é fazer as tão concorridas compras de Natal. É como se toda a sociedade se visse, de súbito, acometida de uma hipnose generalizada. Basta ligar a televisão que, no primeiro intervalo, começam a pipocar as avalanches de propagandas de Natal, cada loja com suas promoções "imperdíveis" e seus(as) garotos(as)-propaganda desfilando em trajes de Papai Noel (trajes, diga-se de passagem, bastante improváveis para um Natal em pleno verão).

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Forte dos Reis Magros


Recebi a visita de um amigo recifense, e senti-me envergonhado quando o levei para conhecer o famigerado Forte dos Reis Mag(r)os. Visitamos alguns compartimentos, muito deles vazios, o que é uma pena, pois poderiam ser ocupados com acervos históricos que pudessem enriquecer a visita. E se não bastasse a escassez de informações sobre o local - de incontável valor histórico - as poucas que ainda tinham estavam em papéis completamente mofados, rasgados, sem qualquer proteção e/ou cuidado. No banheiro, não havia água...realmente, era um forte muito engraçado, não tinha água, não tinha nada. Para onde estará indo o dinheiro destinado para a manutenção dos patrimônios históricos da cidade?
[verificar também: Marco de Santa Cruz da Bica]